Entrementes ruiu a fortaleza. Nem a vi desabar, tão longe estava.
Retornei para abrir o baú, quem sabe pela última vez antes de partir definitivamente. Muito antes de chegar eu já sabia ter desabado meu velho colosso de pedra. Ouvi o barulho, distante e vago como num sonho estranho. Você estava tão perto de mim que o resto parecia a anos luz de distância.
Mas não foi sonho. Cá me encontro e nem sequer há escombros. Só há poeira, muita poeira, que começa a baixar devagar. No escuro, tateio e esbarro em algo. É o meu baú, transbordado de memórias, intacto. Mas não me animo a revirá-lo como fazia em outros tempos. Somente jogo pra dentro as coisas esparramadas e fecho a tampa. A poeira vai baixar e enterrar meu baú por inteiro.
Minha mochila está leve
Carrego apenas sentimentos belos
e boas lembranças
Minha viagem é breve
Sem mais castelo
tenho pressa em seguir sem fazer mudança
E a chave?
De nada serve agora.
O portão já não existe mais.
Melhor que ter a chave é ser
o urgente,
o alívio,
a lagoa acolhedora
e o caminho mais perto para a felicidade
de um um sujeito tão amigo do simbólico,
tão apoiado nos sentidos
e tão em sintonia com a vida.
Você é a fina chuva que apaga o pó.
tiagofranz