Sem chão

teu sopro mais singelo
fez cair meu castelo
perdi de vez o chão
areia falsa

ganhei os ares e hoje vivo num balão
guiado pelo sopro
aquele mesmo
brisa de primavera

a vista de cima é bela
mas às vezes dá vertigens 

eu
ave migratória

você
estação
.

tiagofranz

Publicado em: on Junho 17, 2009 at 1:03 am Deixe um comentário

NeoIluminismo

Pessoas,

Entrementes tenho dado um tempo com este blog.
O meu eu sujeito está em paz (no amor, na saúde física e mental, nos sonhos…), mas o meu eu cidadão do mundo anda bastante ocupado.

Tenho me dedicado ao blog NeoIluminismo, sobre ativismo político-social.

Não desistam de lembrar deste blog sempre que puderem.

Um dia ele voltará, mesmo que eu continue em paz.

tiagofranz

Publicado em: on Abril 9, 2009 at 6:16 pm Deixe um comentário

Nossa canção

Nosso amor é uma canção
ainda na introdução.
Notas leves te desenham
num contorno gracioso.
Os acordes dão o tom
de um destino caprichoso.

A canção do nosso amor
é uma singela canção a dois.
Dos teus olhos terá o brilho,
do encontro das mãos a harmonia.
Um belo duo será o estribilho
de uma doce melodia.

Escreves a letra comigo
com um toque de improviso.
Em cada verso eu me entrego.
Tu sabes que eu te preciso.
Procuro esquecer meu ego,
ser o teu melhor amigo,
te buscar no meu sufoco
e me encontrar no teu sorriso.

E não deixe de me acompanhar num solo,
pois se o teu momento antes chegar
eu te faço o fundo,
como quem dá colo.

 

tiagofranz

Publicado em: on Setembro 17, 2008 at 4:53 am Comentários (1)

Eu, cantor de mim mesmo

Vou levando
Mais pra cigarra do que pra formiga
Canto já que danço mal
E nunca acerto o ritmo da dança
Muitos passos pra lá e poucos pra cá
E rápido demais.

Quero cantar e só.
Cantar o amor que me reconcilia com o mundo
E que me faz não mais querer cantar a vida ilhada.

Minha ilha
Um tanto menos deserta
É menor o sufoco da enchente quando se está acompanhado
Ora faz sol
Ora a água bate no pescoço.

Quero cantar minha condição de cantor de mim mesmo
E dos meus.
 

tiagofranz

Publicado em: on Agosto 20, 2008 at 12:10 am Comentários (3)

Urgente

Nunca sabe os horários, mas corre para pegar o primeiro ônibus. Detesta os longos minutos de espera pelo próximo a passar no ponto. Tecla alguns botões e, por fim, Enviar.

No quarto ela seca o cabelo. A mensagem dá a previsão: vinte minutos, mais ou menos.

Tem a noite inteira mas apressa o passo. Mais dois quarteirões até o prédio. Sempre pula os degraus da entrada. Um toque curto no interfone. No segundo lance de escadas o barulho das chaves. O sorriso tão ansiado e o beijo que não espera o fechar da porta.

 

tiagofranz

Publicado em: on Agosto 14, 2008 at 1:06 am Comentários (1)

Pó e Chuva [6][final]

Entrementes ruiu a fortaleza. Nem a vi desabar, tão longe estava.

Retornei para abrir o baú, quem sabe pela última vez antes de partir definitivamente. Muito antes de chegar eu já sabia ter desabado meu velho colosso de pedra. Ouvi o barulho, distante e vago como num sonho estranho. Você estava tão perto de mim que o resto parecia a anos luz de distância.

Mas não foi sonho. Cá me encontro e nem sequer há escombros. Só há poeira, muita poeira, que começa a baixar devagar. No escuro, tateio e esbarro em algo. É o meu baú, transbordado de memórias, intacto. Mas não me animo a revirá-lo como fazia em outros tempos. Somente jogo pra dentro as coisas esparramadas e fecho a tampa. A poeira vai baixar e enterrar meu baú por inteiro.

Minha mochila está leve
Carrego apenas sentimentos belos
e boas lembranças

Minha viagem é breve
Sem mais castelo
tenho pressa em seguir sem fazer mudança

E a chave?
De nada serve agora.
O portão já não existe mais.
Melhor que ter a chave é ser
o urgente,
o alívio,
a lagoa acolhedora
e o caminho mais perto para a felicidade
de um um sujeito tão amigo do simbólico,
tão apoiado nos sentidos
e tão em sintonia com a vida.

Você é a fina chuva que apaga o pó.
 

tiagofranz

Publicado em: on Julho 16, 2008 at 9:50 am Comentários (2)

O resto pode esperar

E o palestrante disse no meio daquela auto-ajuda toda, daquele “discursinho obtenha sucesso profissional e pessoal”, que as tarefas e obrigações do dia-a-dia devem ser classificadas em três categorias, na seguinte ordem de importância: 1º – Urgentes; 2º – Muito importantes; 3º – Importantes. Nem lembro da ocasião. Acho que foi na escola. Eu devia ter uns dezesseis anos. Só sei que de todo aquele falatório isso foi tudo que me ficou na memória. E como ficou! Acho que foi porque, já naquele tempo, um sentimento de responsabilidade me pesava um pouco as costas e alterava meu sono. Quantas vezes dormi depois de tanto ruminar com a mente! Deve ser por isso.

Entrementes me amparo na dica do cara que nunca vou lembrar quem é, se é que algum dia eu soube.

Fui além e incluí na mesma fórmula de classificação, além das obrigações, os meus planos de realização pessoal e necessidades. Meus deveres de “ser social peça da máquina” não são exatamente os mesmos de outrora mas continuam semelhantes. Vivo para o Urgente, e mal consigo dar conta. Dificilmente tenho tempo para o Importante. O que mudou de verdade foi que muito do que estava no Importante e no Muito Importante agora está no Urgente, e vice-versa. O Urgente agora é me sentir vivo.

tiagofranz

Publicado em: on Junho 25, 2008 at 4:05 am Comentários (3)

Em movimento

EU…
(tiagofranz, sujeito)

…tão amigo do…

…SIMBÓLICO…
(as palavras, os versos, as metáforas, as imagens, as canções)

…tão apoiado nos…

…SENTIDOS…
(o arrepiar da pele, a água na boca, o deleite dos olhos e ouvidos)

…tão em sintonia com a…

…VIDA…
(o pulsar da artéria, o encher dos pulmões, a noção da dor)

…tão ao encontro da…

…FELICIDADE
(a idéia materializada em sensações, consciente ou não, de uma existência que se justifica).

Entrementes busco justificar minha existência. Sinto-me em movimento. 

 

 tiagofranz

Publicado em: on Junho 17, 2008 at 9:43 am Comentários (2)

ISTO não pára

É um jogo. Eu contra isto. Isto me provoca e eu devolvo a afronta. Mas eu facilito muito. Nem sempre é divertido. Quase sempre venci. Perdi algumas vezes. Entrementes só empato. Distraio-me comigo mesmo. Descuido. Perco o lance. Recupero-me num dispender exagerado de esforços. Desgaste vão. No fim isto irá me derrotar de vez. Faço tudo em função disto. Isto me governa e brinca comigo. Só jogo porque é inevitável. Nem sei como as vezes me divirto. Deve ser porque não há nada a fazer, a não ser vencer enquanto se pode e esperar a derrota iminente, conformado por ter resistido um tanto. Se não jogo, estou fora. Ninguém quer ficar fora. Um ex-cabeludo me disse coisas sobre isto. Disse que alguns acham que isto só existe na conciência dos homens e que outros acham que o homem é parte disto e isto é parte do universo. Isto não pára, e atropela meus sonhos.

Entrementes só empato.

tiagofranz

Publicado em: on Junho 15, 2008 at 1:34 am Deixe um comentário

remanso, corredeira, queda e lagoa…ufa!

Remei sem pressa
No remanso vagaroso
Respirei a calmaria
Pois sabia que viria
Aquele trecho perigoso

A corrente acelerou
O instinto aguçou
Os olhos foram longe
Até onde a vista tange
E no findar da corredeira
Eis a grande cachoeira

Tão logo me acheguei
Em meio àquela turbulência
Com ciência calculei
A força da violência
Foi de olhos bem abertos
Sem choro nem clemência

Imerso na névoa
No todo alvo
Suspirei a salvo
Alcancei a trégua
E enfim adormeci
Na lagoa acolhedora
Que eu sabia estar ali

tiagofranz

Publicado em: on Junho 8, 2008 at 6:19 am Comentários (3)