Estão por toda parte, incontáveis e com o mesmo sabor de ausência. Umas doces, outras salgadas. Estão nas gavetas, fibras de celulose, códigos binários. Perfumes, lágrimas, suor. O mesmo sabor de ausência. São incontáveis e com o mesmo sabor de quase, cheiro de ontem. São de tinta, de madeira, de algodão. São de sonhos, de erros e de acertos. Estão por toda parte, inevitáveis e implacáveis. Têm a forma da janela do carro, cheiro de rodoviária. Têm a textura da pele onde a lágrima, o suor e a terra se encontraram ao sol da tarde e ao vento seco. São implacáveis e com o mesmo sabor de ausência. Estão na cadeira vazia, na cama ora espaçosa, no silêncio novo. Doces e salgadas. Estão embaixo da terra, levadas pela água do banho gelado. Nas folhas do ipê sobre a grama quase morta. Nas centenas de pares de olhos escritos em luz. São impressões digitais nas teclas e superfícies do cotidiano. Fonogramas do ídolo. Melodias com valor emprestado por momentos vividos. São feridas abertas pelo arrancar das raízes. Testemunhas de uma eternidade finda.
Entrementes… sou outrora.