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Marcas

12 ago

Estão por toda parte, incontáveis e com o mesmo sabor de ausência. Umas doces, outras salgadas. Estão nas gavetas, fibras de celulose, códigos binários. Perfumes, lágrimas, suor. O mesmo sabor de ausência. São incontáveis e com o mesmo sabor de quase, cheiro de ontem. São de tinta, de madeira, de algodão. São de sonhos, de erros e de acertos. Estão por toda parte, inevitáveis e implacáveis. Têm a forma da janela do carro, cheiro de rodoviária. Têm a textura da pele onde a lágrima, o suor e a terra se encontraram ao sol da tarde e ao vento seco. São implacáveis e com o mesmo sabor de ausência. Estão na cadeira vazia, na cama ora espaçosa, no silêncio novo. Doces e salgadas. Estão embaixo da terra, levadas pela água do banho gelado. Nas folhas do ipê sobre a grama quase morta. Nas centenas de pares de olhos escritos em luz. São impressões digitais nas teclas e superfícies do cotidiano. Fonogramas do ídolo. Melodias com valor emprestado por momentos vividos. São feridas abertas pelo arrancar das raízes. Testemunhas de uma eternidade finda.

Entrementes… sou outrora.

 

Sobre tiagofranz

Tiago Luiz Franz (1985); jornalista e músico; cidadão catarinense e matogrossense.
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Publicado por em agosto 12, 2011 em eu, sujeito.

 

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