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Nesse ‘meio’ tempo

Cada anoitecer marca um dia meio vivido
Cada meia noite é um vazio inteiro

Desinventaram a polifonia
O estéreo do som

É o presente engolido pelo futuro do pretérito composto
Pretérito composto, presente singular

Eu, vivo, nesse meio tempo

 
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Publicado por em setembro 5, 2011 em eu, sujeito.

 

Marcas

Estão por toda parte, incontáveis e com o mesmo sabor de ausência. Umas doces, outras salgadas. Estão nas gavetas, fibras de celulose, códigos binários. Perfumes, lágrimas, suor. O mesmo sabor de ausência. São incontáveis e com o mesmo sabor de quase, cheiro de ontem. São de tinta, de madeira, de algodão. São de sonhos, de erros e de acertos. Estão por toda parte, inevitáveis e implacáveis. Têm a forma da janela do carro, cheiro de rodoviária. Têm a textura da pele onde a lágrima, o suor e a terra se encontraram ao sol da tarde e ao vento seco. São implacáveis e com o mesmo sabor de ausência. Estão na cadeira vazia, na cama ora espaçosa, no silêncio novo. Doces e salgadas. Estão embaixo da terra, levadas pela água do banho gelado. Nas folhas do ipê sobre a grama quase morta. Nas centenas de pares de olhos escritos em luz. São impressões digitais nas teclas e superfícies do cotidiano. Fonogramas do ídolo. Melodias com valor emprestado por momentos vividos. São feridas abertas pelo arrancar das raízes. Testemunhas de uma eternidade finda.

Entrementes… sou outrora.

 
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Publicado por em agosto 12, 2011 em eu, sujeito.

 

A canção que eu não te fiz

Ah! se eu pudesse faria
Aí você não mais diria
que não há uma canção
que te chame pelo nome

E quanto melhor seria
te contar com melodia
e dedilhar no violão
essa dor que me consome

(Três anos depois)

 
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Publicado por em agosto 11, 2011 em eu, sujeito.

 

Perda

Começa quando o sentimento de que nada mais pode ser feito vence o desejo de evitá-la. Culmina em um misto amargo de autocrítica, arrependimento, culpa, crise existencial, busca de novos horizontes e fé facilmente abalável em dias melhores. Nem sempre termina.

É triste subtrair.

 
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Publicado por em agosto 10, 2011 em eu, sujeito.

 

Sangro

O quanto um lugar pode ser bom ou ruim,
O quanto o amor pode construir ou destruir.

Como é indiferente estar ou não com a razão,
E como a vida ganha e perde sentido tão de repente.

Arrancam-se as raízes.
Entrementes, sangro.

 
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Publicado por em agosto 9, 2011 em eu, sujeito.

 

Sem chão

teu sopro mais singelo
fez cair meu castelo
perdi de vez o chão
areia falsa

ganhei os ares e hoje vivo num balão
guiado pelo sopro
aquele mesmo
brisa de primavera

a vista de cima é bela
mas às vezes dá vertigens 

eu
ave migratória

você
estação
.

tiagofranz

 
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Publicado por em junho 17, 2009 em eu, sujeito.

 

NeoIluminismo

Pessoas,

Entrementes tenho dado um tempo com este blog.
O meu eu sujeito está em paz (no amor, na saúde física e mental, nos sonhos…), mas o meu eu cidadão do mundo anda bastante ocupado.

Tenho me dedicado ao blog NeoIluminismo, sobre ativismo político-social.

Não desistam de lembrar deste blog sempre que puderem.

Um dia ele voltará, mesmo que eu continue em paz.

tiagofranz

 
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Publicado por em abril 9, 2009 em eu no mundo., eu, sujeito.